O despertador toca pela segunda vez e sei que desta não me posso virar para o lado e esquece-lo.O Gil está aos meus pés a apanhar com o calor que vem do aquecedor que liguei mal ouvi o primeiro toque chato do meu telemóvel, ás 07 horas e 35 minutos.
Estou cheia de sono e sinto a os meus olhos e a minha cara inchados. Levanto-me a custo enquanto procuro pelos meus chinelos, e a caminho do WC penso que nunca mais cegam os dias quentes que nos ajudam a acorda melhor.
Ontem não foi fácil enquanto o sono me consumia mas a vontade de dormir não aparecia.
Acho que o meu marido já está a ficar disto e de me ver assim todos os dias, cansada e carregada de sono mas sem conseguir dormir.
Poderia estar cansada por trabalhar imenso e nem conseguir parar, mas..antes fosse por isso ou por uma razão melhor. O pior é não entender o porquê de estar assim e não conseguir, por nada, encontrar uma coisa melhor e diferente que me canse por razões lógicas.
Hoje o céu está azul e o sol brilha, o que é menos mau, mas enquanto percorro o caminho para o trabalho, naquele que é o meu carro e que me vejo aflita para vender, tento procurar um sentido para tudo o que me rodeia.
Sei que vou chegar ao escritório e que não vou ter lá ninguém durante, pelo menos, uma hora e meia, até que chega um colega e um chefe com a mania que tem o Rei na barriga.
Esta pessoa digamos que é, infeliz. Sim, afinal alguém que tem de vestir um fato para se sentir importante não a podemos considerar de normal. T
Tem as ideias lá no alto, sonha e magica com um futuro risonho e não se apercebe que só consegue fazer pior no caminho que tem a percorrer.
Afasta todas as pessoas, consegue que o detestem, e não tem amigos verdadeiros. Daqueles que possuímos desde crianças até à velhice, simplesmente porque ninguém atura um feitio de “eu sei, porque sou o maior e sei tudo e tenho sempre razão”.
Durante o dia inteiro não tenho trabalho nenhum. Atendo alguns telefonemas. Já estou assim há três dias.
Tenho uma reconciliação bancária para terminar, mas a minha cabeça pesa e sei que não estou em dia para a terminar.
Anseio pela hora a que vou chegar a casa e descansar de um dia extenuante em que nada fiz mas que me consome mais do que ter trabalho a mil à hora.
O marido está em casa de folga, e irrita-me esta vida desencontrada que temos, ainda para mais quando me diz “vou estar uma semana à noite”.
Quando andava na escola, muitas vezes faltava ás últimas horas da tarde para irmos passear até ao Estoril e apanhar sol. Ai, como me sabia bem aqueles raios de sol a aquecerem-me a alma.
Hoje já não o posso fazer, mas tento, sempre que possível, sair mais cedo!
Hoje peço apenas que os raios de sol iluminem o meu caminho para que consiga enfrentar os pesadelos com outra alma e sentir que afinal a vida poderá ter algum sentido, nem que seja a minha vida fazer sentido a outra vida.
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